Saúde

É hora de parar com a automedicação. Entenda os riscos

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Em algum momento da vida, todo mundo já tomou remédios sem a devida prescrição médica. A prática é recorrente no Brasil, onde mais de 76% da população toma remédios por conta própria. Mas esse hábito pode ter consequências sérias.

De náuseas a intoxicações graves, a automedicação pode mascarar sintomas de doenças e levar até mesmo ao óbito. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Farmacêuticas (Abifarma) cerca de 20 mil brasileiros morrem anualmente por tomarem remédios sem orientação.

Neste texto, vamos explicar os riscos da automedicação e porque você deve abandonar de uma vez por todas esse costume.

É o principal motivo de intoxicação

Os remédios estão à frente de produtos de limpeza, agrotóxicos e alimentos estragados nos casos de intoxicação. Em 2013, foram mais de 10 mil casos registrados no Brasil. Os agrotóxicos, em segundo lugar na lista, tiveram um registro inferior a dois mil. 

Os maiores vilões da intoxicação causada por remédios são aqueles que agem no sistema nervoso central. Sedativos, ansiolíticos e antidepressivos produzem as reações mais graves. Mas não pense que apenas estes geram estas reações. Analgésicos, antitérmicos e xaropes também causam muitos problemas, e são, justamente, esses que costumamos usar sem a devida recomendação.

As intoxicações também ocorrem em virtude do mau uso das substâncias, que são aplicadas para problemas diferentes daqueles que tratam, por tempo superior e dosagem errada. O paracetamol, por exemplo, legalmente não requer prescrição médica, mas em grandes quantidades podem causar sérios danos ao fígado.

Já outros remédios tratam vários sintomas ao mesmo tempo e nem sempre o usuário precisa de todos os princípios ativos. Com isso, fica sujeito ao risco de intoxicação. 

Pode levar à dependência

Outro efeito comum, silencioso e muito perigoso é a dependência do fármaco. E, novamente, é preciso ter atenção redobrada com aqueles que dispensam receita médica. Por serem mais acessíveis e aparentemente menos agressivos, as consequências podem ser severas.

O abuso de laxantes faz o intestino perder sua capacidade de funcionar sem o princípio ativo. Remédios para dormir que contém anti-histamínico (para controle de alergias) tornam o organismo tolerante, exigindo dosagens cada vez maiores para fazer efeito. A mesma coisa acontece com os descongestionantes nasais.

As substâncias tarjadas também são um grande risco. Segundo dados da ONU, o uso abusivo de medicamentos controlados já supera o consumo de heroína, cocaína e ecstasy somados. Entre eles, os antidepressivos e os opiáceos (derivados do ópio usados para dor) são as que mais causam dependência. Logo atrás, estão os estimulantes, como a ritalina.

Consequências do vício

A dependência ainda acarreta diversos problemas, como redução da memória e problemas hepáticos, além de prejudicar o tratamento de outras doenças por conta da interação medicamentosa.  

A situação é tão grave que para reverter o quadro é preciso atendimento psiquiátrico, exatamente como acontece com o vício em drogas ilícitas. As crises de abstinência são sérias e é necessário intervir com outros remédios. Além disso, o apoio psicológico é fundamental para a recuperação do dependente.

Esconde sintomas de doenças

Quando estamos com algum sintoma como dor de cabeça ou náusea e tomamos remédios sem recomendação, o alívio pode ser imediato. Mas isso não significa que a situação foi resolvida, e complicações maiores podem estar por vir.

Isso acontece porque essa melhora simultânea mascara os sintomas das doenças, que se agravam por falta de tratamento adequado. Não bastasse isso, o diagnóstico também fica mais difícil por parte dos profissionais. A identificação de casos de dengue, zika e chikungunya  doenças que aterrorizaram o Brasil nos últimos anos pode ficar comprometida, assim como de vários outros problemas de saúde.

Desenvolve reações alérgicas e resistência microbiótica

Alergias ocasionadas por automedicação são mais comuns do que se imagina. E as reações mais comuns, ainda de acordo com a entidade, são causadas pelos remédios mais consumidos sem orientação médica: os analgésicos e os anti-inflamatórios, seguidos pelos antibióticos.

O uso descontrolado deste último, aliás, pode ocasionar na resistência bacteriana. Ou seja, o paciente que o toma por mais tempo que o prescrito faz com que a bactéria fique resistente ao remédio. Isso agrava a infecção e deixa o tratamento ineficiente, tornando necessária outra abordagem médica para curar a doença.

Aumenta o risco de interação medicamentosa

Quando tomamos remédios por conta própria não temos a orientação adequada sobre como ele funciona. Em consequência disso, acabamos sem saber como o fármaco em questão interage com outro (ou até com alimentos) e o resultado dessa mistura pode ser a alteração dos efeitos desejados ou reações adversas.

Algumas substâncias combinadas podem aumentar, diminuir ou anular a eficácia esperada por uma delas — ou pelas duas. É o caso do anticoncepcional oral e do anticonvulsivante. Quando tomados juntos, o último reduz potencialmente o efeito do primeiro.

Outro exemplo é tomar leite com antibióticos, pois o líquido reduz a ação antimicrobiana. Sem esquecer a associação do álcool com os remédios, especialmente os antidepressivos. Isso pode causar até paradas cardiorrespiratórias.

Portanto, para não sofrer com as consequências de uma interação medicamentosa prejudicial é necessária orientação médica. Apenas assim estaremos 100% cientes dos efeitos colaterais e indicações de cada substância.

Riscos da automedicação em crianças

Se os adultos já são vulneráveis às consequências da automedicação, imagine as crianças. Por não terem o organismo totalmente maduro e possuir índice de massa corporal menor, elas precisam de dosagens diferentes. Além disso, alguns remédios podem afetar o crescimento e o desenvolvimento físico dos pequenos.

Os riscos de automedicação em crianças vão além do consumo direto por elas. Por isso, lactantes e gestantes precisam ter cuidado redobrado com os remédios. Diversas substâncias conseguem ultrapassar a barreia placentária, podendo comprometer o desenvolvimento dos fetos. 

Com as crianças, também é preciso ter atenção redobrada na “farmácia caseira”, pois não são raros os casos de ingestão acidental de comprimidos.

Saúde é coisa séria

Com saúde não se brinca. Tomar remédios sem consultar um profissional pode parecer uma solução mais rápida e barata, mas os riscos da automedicação são altíssimos e as consequências, graves. Por isso, é importante que você sempre procure um médico quando sentir algum sintoma. Ele é a pessoa em que você deve confiar para receitar algo.

E nunca se esqueça de ler a bula inteira. Inclusive os ingredientes, dosagens, intervalos e advertências. Preste atenção se o remédio deve ser tomado com estômago vazio ou não e nunca misture medicamentos com álcool. Por fim, anote qualquer reação adversa ou alergia. Assim você pode evitar esses problemas no futuro.

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